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OS PRIMEIROS
HABITANTES
QUANTOS
ERAM OS INDÍGENAS DESTA REGIÃO, NO SÉCULO PASSADO?
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"Antes
do Chico aqui chegar, habitavam povos de outras raças, que terras,
rios e matas: Gavião, Xicrin, Surul, Parakanã, Arara e Assurini"
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(Ananias
Pereira - Fragmentos tributários)
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Não
existem dados exatos, mas pesquisas históricas e arqueológicas indicam
que o número de aldeias e pessoas era muitíssimo maior que o de hoje.
Em nossa região, como em todo o Brasil, houve uma redução rápida da população
indígena, um verdadeiro extermínio, provocado por: epidemias de doenças
trazidas pelos brancos e perante as quais os índios não tinham defesa
orgânica; apresamento de índios para o trabalho escravo; assassinato de
populações inteiras que se encontravam em áreas de interesse para o aventureiro
branco (seringais, castanhais, áreas de pastagens naturais, áreas ricas
em minérios).
Assim, nos séculos XVI, XVII e XVIII, muitos indígenas moradores das margens
do rio Tocantins foram escravizados por grupos de aventureiros que, saindo
de Belém e Cametá, subiam o rio em barcos a remo. Vinham para esta região
em busca de homens para trabalhar nas lavouras que abasteciam as cidades
litorâneas. Dos indígenas capturados, grande parte morria na viagem, ou
logo depois, pelo contagio com doenças e pelo excesso de trabalho.
Evidentemente esse tipo de contato, cujo objetivo era o de explorara força
de trabalho indígena, não permitiu qualquer observação das culturas e
das línguas nativas. Dessa forma, em nossa região, como em todo o país,
as diversas culturas nativas foram sufocadas pela cultura do homem branco.
Também os religiosos, como Franciscanos e Jesuítas, reuniram indígenas,
com o intuito de convertê-los ao cristianismo e adaptá-los ao modo de
vida dos "civilizados", o que significava colocá-los para trabalha em
roças, sem qualquer respeito aos seus costumes, crenças e tradições.
Nesse processo de extermínio dos indígenas, somente se salvara os grupos
que penetraram nas matas, seguindo o curso dos igarapés, indo para regiões
de difícil acesso aos colonizadores brancos. No entanto, a partir dos
últimos anos do século XIX, descobriu-se nesta região o caucho, e os índios
voltaram a ser confrontados com o brancos, que adentravam a mata, em busca
das árvores da goma elástica Pouco depois, por volta de 1920, foi a castanha-do-pará
que atraiu o brancos para o interior da floresta, provocando novos conflitos.
Em todas essas lutas o homem branco era vencedor, pois os índios vivendo
dispersos, não tinham formas de unir-se para enfrentar o invasor além
disso as armas dos indígenas eram rústicas - arcos, flexas, bordunas -
enquanto os brancos utilizavam armas de fogo.
Um exemplo da terrível redução da população indígena é a que ocorreu com
o povo Kaiapó: antes de 1910 calculava-se que somavam 6 8 mil pessoas;
em 1918 estavam reduzidos a 500 e, em 1929, a apenas 2 pessoas. Ou seja,
de cada 222 indivíduos restou apenas 1, no curto intervalo de 20 anos!
A
HISTÓRIA DOS POVOS INDÍGENAS
Os grupos
indígenas que sobreviveram e conseguiram manter sua culturas são hoje
testemunhas de uma história de sofrimentos, mortes muita resistência.
Veremos alguns aspectos da história de quatro povos que ainda vivem nas
proximidades de Marabá: os povos Suruí,
Gavião, Parakanã
e Xicrin do Cateté.
Esses povos são, em nossos dias, exemplos de como é possível usufruir
dos recursos naturais sem causar a destruição do meio ambiente. Além disso
eles nos mostram como é possível viver em comunidades onde cada um produz
de acordo com sua capacidade e todos desfrutam dos recursos obtidos, não
havendo pobres nem ricos.
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